“Nós
nos casaríamos. Não
necessariamente você de terno, e eu de vestido branco. Mas dividiríamos uma
mesma cama, uma mesma vida e um mesmo sobrenome. Acordaríamos juntos e logo
pela manhã, alguma implicância já iria nos afetar. Você tomaria seu banho
demorado, e eu bateria as portas do guarda-roupa com força para que você
ouvisse e percebesse minha pressa. Você falaria algumas bobagens, eu retrucaria.Depois,
você me calaria com um beijo, me jogaria na cama e ali resolveríamos nossas
diferenças. Eu faria questão de
preparar o nosso café da manhã. Deixaria sua tigela de cereais posta à ponta da
mesa, juntamente com seu leite morno e seu jornal do dia. Do lado, eu colocaria
o meu café meio amargo, juntamente com minhas bolachas favoritas. Provavelmente
você sairia atrasado para seu trabalho, e eu para o meu. Você me surpreenderia
no horário do almoço com uma mensagem simples, daquelas que me fazem sorrir
feito criança. O dia passaria devagar, pois não estaríamos juntos. Quando,
enfim, o expediente de ambos acabasse, nós nos encontraríamos em casa. Você
chegaria com aquela sua cara de cansado, se jogaria no sofá e pediria pra eu
pegar algo para beber. Mas não seria cerveja. Eu te entregaria uma garrafa de
Coca-Cola, com apenas um copo, e também um prato de brigadeiro. Quando você pensasse
que iria se deliciar sozinho, eu pularia no seu colo, roubando o copo da sua
mão e tomando tudo que nele ainda restasse. Você, então, pegaria o copo da
minha mão, o colocaria na mesinha de canto e me beijaria como se nada mais no
mundo te importasse.
Nós ficaríamos ali, abraçados, assistindo filmes de comédia até o anoitecer. Levaríamos uma vida morna.
Brigaríamos como cão e gato. Nas férias, você iria querer me levar para a
praia, e eu iria querer te levar para as montanhas. Você acabaria cedendo, e depois
diria que sempre faz minhas vontades mesmo. No domingo chuvoso, enquanto filmes
melodramáticos passassem na tevê, você pegaria seu violão e me levaria para
sentar no terraço. Lá, você cantaria aquela canção que parece ter sido escrita
para nós dois, e depois, aconchegaria meu rosto em seu peito, para que assim eu
descansasse. Do dia seguinte, talvez brigaríamos para decidir quem entraria no
banho primeiro, quem prepararia o café, e quem passaria no mercado para comprar
Doritos. Nos dias entediantes, nós trocaríamos mensagens. Eu no quarto e você
na sala, separados por uma distância máxima de vinte metros. Sentaríamos no chão da sala e pensaríamos nos nomes
que nossos futuros filhos receberiam. Nós conversaríamos sobre tudo. Eu acabaria entendo
um pouco sobre futebol, e você um pouco sobre moda.Falaríamos
besteira e sorriríamos ao ver que naquele lar havia uma coisa chamada “amor”. Não perderíamos o ar de jovens apaixonados.
Escreveríamos bilhetes, provocaríamos um ao outro e sussurraríamos todos os
dias o quão feliz estávamos. Esses eram alguns dos meus planos, e neles, nós
seríamos eternamente felizes.” (dilacerar)
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